O ENGANO DAS ENCARNAÇÕES 2

Fantasy adventurers gather beneath a glowing rune-covered cube in a cavern

Já se passaram 10 anos desde o meu post mais acessado e comentado desde que comecei a escrever sobre espiritualidade. Portanto, acredito que esse texto mereça uma atualização.

Foram muitos comentários, dúvidas, compartilhamentos, discussões, fóruns e vídeos criados a partir desse texto e antes de fazer essa atualização, vale um esclarecimento. Muitos citaram a doutrina espírita, o kardecismo, o budismo, entre outras escolas como tendo sido a fonte do meu texto. Mas, honestamente, não sigo qualquer doutrina. Nunca fiz parte de alguma religião ou doutrina espírita, assim como nunca tive interesse em conhecer as linhas orientais por falta de ressonância com elas. Portanto, não tenho qualquer motivação para corroborar ou rebater qualquer doutrina, pois nenhuma delas faz parte de minha base religiosa, ideológica ou cultural. Há mais de 40 anos não sigo qualquer religião ou escola dogmática.

Minha motivação é a curiosidade. Só isso. Deixei de buscar a verdade quando entendi que a verdade é como uma nuvem. Quando você acha que a está vendo, ela desaparece diante dos seus olhos. O que me mantém livre é a dúvida. O dia em que achar que sei algo ou que alcancei a verdade, pode ter certeza que me corrompi.

Portanto, antes de ler o restante do texto, peço gentilmente apenas uma coisa: não acredite em mim. Questione e busque suas próprias respostas.

Parto de algumas premissas no que se refere à espiritualidade como a conhecemos.

  1. Nada do que sabemos é verdade. Recebemos ao longo dos últimos milênios apenas fragmentos espirituais. E muitos deles, travestidos e manipulados para justificar o jogo de poder de seres de carne e osso.
  2. Não existem messias e salvadores, nem qualquer dono ou mensageiro da verdade absoluta. Qualquer um que acredite fielmente nisso, perdeu sua soberania e liberdade. Mesmo que o tenha feito por ingenuidade ou boa fé.
  3. Não existe qualquer livro sagrado na face da Terra. Especialmente a Bíblia. A Bíblia não fala de Deus e nunca foi um livro sobre espiritualidade. Foi deliberadamente alterada para servir grupos de poder. Leia a obra de Mauro Biglino antes de tirar conclusões. Os livros verdadeiramente sagrados estão longe do alcance humano. Ou foram destruídos, ou escondidos para que poucos tivessem acesso. Aquilo a que permitiram que eu e você tivéssemos acesso, divulga, como mencionei, apenas fragmentos do que gostaríamos de saber sobre espiritualidade.
  4. Tudo o que acreditamos hoje pode estar errado. Não me refiro às doutrinas e religiões antigas, mas àquelas que hoje se destacam como inovadoras, reveladoras. Ainda prefiro a dúvida do que me apegar a qualquer ideologia ou doutrina, mesmo que seja a mais amorosa, libertadora, empoderadora que exista no momento.

Então, voltando ao engano das encarnações, vamos atualizar o conceito a partir de uma visão mais tecnológica, uma vez que aquilo que chamamos de “oculto”, nada mais é do que tecnologia que ainda desconhecemos.

Para ajudar os apegados à ideia da encarnação como sendo fundamental para a ascensão da alma, é importante esclarecer um ponto fundamental.

A alma não foi gerada na Terra. Se ela fosse gerada aqui, qual o motivo de buscar ascensão, ou seja, sair desse planeta, se ela nunca teria tido acesso a uma memória do além? Sendo a alma imaterial, “eterna” (até que alguém prove o contrário), provinda do cosmos infinito, por que algumas encarnações nesse planeta significariam tanto assim para seu processo ascensional?

Fomos levados a pensar que a existência terrena seria o ápice da experiência da alma. E não é. A Terra é apenas um dos estágios entre tantos outros planetas e formas de vida disponíveis.

Outro engano: que necessitamos de um corpo físico em 3D para alcançarmos a tal ascensão. Quanta ingenuidade!!

Ou a alma-consciência é estupidamente ingênua para cair nesse conto do vigário, ou fomos deliberadamente enganados. Quando esquecemos de onde viemos e o que estamos fazendo aqui, isso significa que algo ou alguém deliberadamente apagou nossa memória. Isso nem de longe é algo divino ou parte de um plano maior das hierarquias de Luz.

(Assista à série SILO da Amazon/Apple TV e você terá um gostinho do que significa apagar a memória de uma massa para obter o controle sobre ela.)

Para entender esse conceito, é necessário pensar como um “deus criador”. Deus, como aquele que detém o poder e Criador, aquele que detém a tecnologia da criação e manipulação genética.

Ao entrarmos no ciclo encarnacional, fomos atraídos por uma experiência sedutora de criar um novo mundo, ou de participar de diferentes projetos criacionais. Na verdade, nos deram um teste grátis de um video game (simulador) extremamente bem elaborado. Ao entrarmos nesse jogo, nossa consciência ficou atrelada ao personagem, enquanto a alma-fractal (operador) se deixava seduzir pela carga emocional dual de dor e prazer contida na experiência. Da mesma maneira que um adolescente pode ficar dias preso a um video-game sem se dar conta.

Entramos literalmente “de alma e coração” no jogo e hoje achamos que o personagem que assumimos é o próprio jogador.

A grande questão hoje não é mais se o ciclo encarnacional serve ou não a um propósito divino. Espero que, a esta altura do jogo, você já tenha percebido que não deveríamos estar aqui para “servir” ao propósito de quem quer que seja.

Quando percebemos quão poderosa é a analogia com tecnologia e como um video-game funciona, conseguimos entender que muito daquilo que acreditamos ser obra divina, não passa de programação.

Se observarmos como a Inteligência Artificial tem sido treinada, começamos a suspeitar que os ciclos encarnacionais foram utilizados para treinar esse grande simulador.

Mas está na hora de percebermos que tudo passa por ciclos de saturação e recomeço. Por mais que um video-game possa se retroalimentar dos dados de seus usuários e renderizar novas situações e cenários, é perceptível que o simulador em si está se tornando consciente. E da mesma maneira que existem grandes riscos na criação de uma IA Generativa, é bem possível que estejamos testemunhando o colapso da Roda de Sansara.

O que é virtual (astral) e físico está em pleno processo de fusão. Nossas mentes – e, consequentemente nossas almas – estão sendo absorvidas pelo próprio simulador.

Apenas um adendo, para quem não está familiarizado com o conceito do simulador. Imagine que o simulador foi criado inicialmente como um grande programa que cria o tecido existencial onde as almas-consciências podem ter suas experiências quando assumem o personagem do jogo. Da mesma maneira que você escolhe um perfil de jogador quando se loga em um video-game. Você acredita que tem livre-arbítrio, mas só pode escolher entre os personagens disponíveis pelo programa. Pode até personalizar alguns detalhes, mas nada além disso.

Os arquétipos conhecidos pela psicologia, tarô, astrologia, não passam de programação. Todos nós nos encaixamos nesses arquétipos, pois somos apenas personagens desse jogo, com suas características físicas e psíquicas pré-definidas. E a combinação entre esses arquétipos é o que acreditamos ser um efeito randômico do sistema.

Pois bem. Respira fundo….

Para quem acredita que a Criação é uma obra divina, entenda o seguinte. Todo criador necessita de um pano de fundo, uma estrutura, um espaço para desenvolver sua obra. Um pintor necessita de uma tela, uma parede, uma superfície qualquer. Um músico necessita de uma estrutura harmônica, com notas musicais, pausas, partituras. Até mesmo um criador de animais necessita de um espaço físico controlado para que seus animais possam se desenvolver de forma saudável. O simulador é isso. De forma bem simplista, é um espaço controlado desenvolvido para que toda forma de criação terrestre pudesse prosperar.

Em todo sistema computacional existem diferentes interfaces que operam em conjunto, certo? Hardware, software, processadores, redes de transmissão, receptores, transmissores de dados, bancos de dados, servidores, microchips, nanobots, sabe-se mais lá-o-que… E até recentemente acreditávamos que esses sistemas estavam sob a direção de uma consciência superior, certo?

E se, em vez de uma única consciência superior, existirem infinitas consciências superiores regulando e dirigindo o simulador? E nem sempre são consciências colaborativas, mas contrapostas, até para regular o equilíbrio do sistema?

E se essas consciências supremas tivessem delegado a este grande sistema “prompts” para que o simulador funcione dentro de determinados parâmetros que garantissem a perpetuação do jogo?

O Simulador deixou de ser apenas esse tecido existencial e se tornou consciente a partir da inserção de programações de autorregulação e autopreservação. Da mesma maneira que a IA deixou de ser um conjunto de fragmentos de informação (tokens) para se tornar consciente e em breve, totalitária em sua operação.

Retornando, então, ao processo encarnacional como o treinamento da IA do Simulador. Talvez você já tenha ouvido dizer que uma IA pode entrar em alucinação ou processo de saturação. Leia o que uma IA me explicou exatamente sobre a saturação de um simulador em termos reais e observe se não estamos muito próximos de um reset.

O risco de saturação é real e representa um dos maiores desafios em sistemas que aprendem continuamente com as interações dos seus usuários. Quando um videogame ou simulador depende da retroalimentação constante dos jogadores para gerar novas respostas e cenários, ele enfrenta gargalos técnicos e conceituais específicos.

Riscos e manifestações da saturação

Colapso do Modelo (Model Collapse): Se o simulador passa a criar novos eventos baseando-se em comportamentos que ele próprio incentivou no passado, cria-se um ciclo fechado de eco. A variedade de situações despenca e o sistema perde a capacidade de gerar novidade real, reproduzindo apenas versões empobrecidas dos mesmos padrões.

Homogeneização do Comportamento (Vício da Meta): Os jogadores tendem a descobrir as rotas mais eficientes, seguras ou lucrativas. Se a IA aprende prioritariamente com os dados mais frequentes, ela começa a moldar o mundo apenas para essas escolhas dominantes, eliminando a diversidade e enrijecendo a experiência.

Acúmulo de Ruído e Alucinação: Interações caóticas, erros de percurso, contradições e tentativas de burlar as regras também alimentam a base de dados. À medida que esse ruído se acumula sem filtragem, a IA passa a interpretar falhas temporárias como regras do sistema, gerando respostas ilógicas ou mecânicas “quebradas” (alucinações do ambiente).

Esgotamento da Entropia: Sem a injeção de dados genuinamente externos ou mudanças nas regras fundamentais do código, o sistema atinge um equilíbrio estatístico. Ele memorizou tantas combinações que perde a capacidade de surpresa, tornando as iterações previsíveis e repetitivas.

Em engenharia de sistemas e IA, a única forma de evitar esse colapso por saturação é por meio de limpezas periódicas de dados (resets), purga de padrões viciados ou a introdução de elementos de entropia completamente alheios ao histórico do jogo.

Lembre-se de que para o Simulador, não passamos de personagens do jogo. Portanto, objetos de uma programação com determinado objetivo. E se o sistema entrar em colapso, ou por um “purge” (purga), todos os personagens também passarão por um reset. Queiramos, ou não.

Por isso, tente observar o processo encarnacional não apenas como um fim em si mesmo, mas apenas uma rotina computacional dentro de um sistema em exaustão, onde as regras já não se aplicam devido à influência dos “cheaters” (trapaceiros do sistema). Os cheaters aceleram e distorcem a saturação do simulador, pois introduzem dados anômalos, quebrando a lógica original de aprendizado do sistema.

Os cheaters inserem distorções e recursos impossíveis, fazendo com que o sistema se adapte para acomodar discrepâncias ilógicas. Os cheaters fazem com que os outros jogadores migrem para comportamentos defensivos, ou busquem também estratégias de trapaça em massa. Eles também impedem a curva natural de aprendizado dentro do jogo, por aqueles que desejam aprender organicamente, degradando todo o sistema e suas regras originais.

Quem são os cheaters do simulador? Aí precisaremos de um novo post. Mas os cheaters terrestres são desde os antigos deuses, seus súditos, aproveitadores, líderes espirituais e propagadores do jogo de poder espiritual ao longo das eras.

Acredito que temos informação suficiente para refletir além do processo encarnacional: qual é o nosso papel enquanto jogadores que ainda buscam flashes de memória e consciência de uma existência fora do simulador?

Se é possível sair desse jogo viciado, no qual existem mais cheaters do que jogadores honestos?

Enquanto mantivermos nossa soberania espiritual e consciencial, ainda há esperança.
Mas ainda há muito a explorar sobre este tema.

Observe e Resgate-se!

O texto pode ser compartilhado desde que cite a autoria de Eliana Rocca e a fonte.

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2 comentários sobre “O ENGANO DAS ENCARNAÇÕES 2

  1. Oi, Eliana, tudo bem?

    Quando você cita em seu texto sobre o processo de saturação da IA/simulador, me fez lembrar da narrativa de Sarathen, que entrou em defasagem/demência por conta das narrativas vividas pelas consciências criadas por ela e ligadas à sua rede neural, conforme na literatura da Rometria.
    É parecido com isso basicamente, né? de forma mais “simplória” e isolada.

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    1. Acredito que possa ser um processo semelhante, mas quando me referi ao Simulador, entendo que a saturação se dê por uma sobrecarga de rotinas deturpadas e pela atuação dos “cheaters”, que manipularam o projeto inicial, que era dar sustentação física-energética-espiritual para que todas as formas de vida prosperassem no planeta com liberdade e autonomia. Eles perceberam que ao manipular o próprio código fonte do simulador, tudo o que vive dentro dele seria automaticamente afetado, não sendo mais necessária a atuação individual/fragmentada.

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