NÃO HÁ RECOMEÇO SEM DESAPEGO

Muitos buscam orientação na espiritualidade para ampliar a compreensão sobre os mistérios da vida ou para resolver seus problemas, esperando a devida orientação de médiuns, terapeutas, sacerdotes, gurus.

Mas perdem muitas vezes grandes oportunidades de ampliar sua consciência, sem perceber que podemos ser o nosso próprio mestre quando aprendemos a silenciar e a observar. Acreditamos que as mensagens vêm apenas através da fala e da audição, mas este mecanismo verbal não faz parte do processo de comunicação entre a mente e nossa alma, nosso espírito.

Quando aprendemos a silenciar e observar o que existe à nossa volta, começamos a perceber que tudo “fala”. Nosso corpo, nossa casa, os animais, as plantas. Tudo aquilo que faz parte de nosso campo sensorial compartilha de nossa energia. Nosso campo áurico carrega informação que é compartilhada com o campo áurico de tudo o que existe, formando então um processo de retroalimentação de informações, ou uma rede neural compartilhada.

O início de ano é um momento propício para se fazer uma análise do que precisa ser modificado, limpo, ressignificado, pois a maioria está idealizando novos projetos, novos objetivos. Só que para se conquistar algo novo é necessário abrir espaço para ele e mais do que isso, limpar as condições negativas que podem corroer esse projeto antes mesmo que ele venha se concretizar.

Você não compraria um sofá novo para colocar numa casa suja, com rachaduras, mofo, umidade e insetos, certo? Certamente esse sofá irá se deteriorar em pouquíssimo tempo. Primeiro, você precisa se livrar os móveis velhos, cuidar da estrutura da casa e fazer uma boa faxina.

Infelizmente, muitos fazem exatamente isso com sua vida, seus projetos, sua espiritualidade. Consomem avidamente tudo o que há de novo no meio espiritualista, mas não cuidam de seu interior, dos dogmas e crenças que corroem e enfraquecem seus esforços. E vivem constantemente reclamando que seu trabalho e investimento não deram certo.

Outro ponto importantíssimo é nossa relação com o corpo físico. Muitos tratam da parte estética, mas esquecem de tudo aquilo que forma a base da boa saúde. Semelhante ao exemplo do sofá novo na casa velha, não adianta tomar vitaminas e suplementos se os órgãos estão saturados de lixo.

Queremos propor então, neste início de ano, que antes de traçar metas, fazer grandes planejamentos, você se observe e observe os sinais que sua casa, seu corpo, seus animais e plantas estão mostrando. Observe de forma neutra tudo à sua volta e tire lições de cada situação, compreendendo o que precisa ser modificado e limpo antes de assumir novos compromissos.

  1. Observe sua casa, começando por aqueles cantos e espaços com energia estagnada. Espaços sem função, locais que armazenam bagunça, objetos estragados ou sem utilidade. O quanto isso te incomoda irá te dizer o quanto você está disposto a se modificar internamente. Quando você se recusa a se desapegar de objetos, isto significa que você não está disposto a fazer as mudanças necessárias dentro de você.
    • A existência de mofo, infiltrações, vazamentos, podem significar ou situações de escape de energia ou mesmo invasão de energias densas vindas de diferentes fontes. Essas situações irão drenar ainda mais a sua energia vital, se somando às questões internas de baixa autoestima, falta de força de vontade, diminuindo seu foco e determinação.
    • Guarde então um tempo para ressignificar aquele canto ou área sem utilidade, observar tudo aquilo que está causando estagnação e doe, limpe, renove.
    • Durante este processo converse com a sua casa de forma intuitiva. Ela te dirá muito a seu respeito, sobre seu valor e amor-próprio, sobre sua visão de mundo, sobre como você cria seu refúgio, seu templo.
  2. Observe seu corpo. O quanto você já superaqueceu seu veículo físico o colocando em situações além do que você poderia suportar? Stress, má alimentação, sedentarismo… O quanto você se acostumou com a dor, com males que julga “normais”?
    • Nenhuma dor é normal. A dor é um alerta e não algo para se acostumar. Lembre-se que a dor muitas vezes é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Ele acontece quando nos apegamos à dor. Ou quando aceitamos certos condicionamentos, acreditando que o sofrimento leva à virtude.
    • Existe uma enorme diferença entre buscar a mestria através da disciplina e sofrer à toa, como uma barganha com a espiritualidade. Aquele que busca a mestria através do corpo físico, cultivando práticas físicas, irá obviamente enfrentar a dor, mas é uma dor consciente e passageira. Aquele que busca o sofrimento como sinal de virtude não irá conseguir nada. Só mais sofrimento.
    • Avalie os conceitos que vêm de gerações anteriores. “Ah, sou assim (obeso, diabético, hipertenso…) porque meus pais também são.” Este é um conceito extremamente nocivo, pois se você aceita as doenças de seus pais e avós, é porque aceita outros comportamentos, pensamentos e sentimentos igualmente danosos vindos deles.
  • Observe seus pensamentos e sentimentos. Anote tudo o que vier. Adquira o hábito de escrever a mão sobre seus sentimentos. Observe sua letra, o ritmo da escrita, se você tem paciência para escrever. Guardar momentos para escrever sem se censurar, é extremamente terapêutico. Lembre-se de Thoth, o escriba de Deus e coloque-se como um canal de seu Eu Sou ou de sua Fonte primordial, pronto para expressar o que há de mais profundo em sua alma.
    • Aproveite para conversar com aquilo que te faz mal. Suas dores, suas dúvidas. De onde elas vêm? O que elas querem dizer e o que querem que você faça? Muitas vezes elas não são suas inimigas, mas existem para mostrar a você a necessidade de mudança, para que se torne uma pessoa melhor.
  • Finalmente, observe sua espiritualidade. Não vou convidá-lo a conversar com seus guias e guardiões. Para a maioria, talvez, esta seja a orientação mais lógica neste caso, mas neste processo de avaliação é inútil. Eles não vão te dizer o que fazer, pois sabem que a responsabilidade é sua.
    O que dita sua espiritualidade são as crenças, condicionamentos e dogmas que você aceita e repete sem perceber e sem questionar. E igualmente aos processos anteriores da casa e do corpo físico, armazenamos crenças estagnadoras, armazenamos lixo.
    É esse lixo espiritual que se acumula em forma de rituais sem fundamento, repetições de decretos e orações sem consciência, pactos e iniciações com deuses e mestres de todo tipo, buscando o apoio de seres estranhos na ilusão de salvação. Reforçamos mentiras vazias, hologramas, compramos imagens de mestres pasteurizados, sintetizados dentro de nossas expectativas de um super-herói, vingador ou justiceiro.

Observar e analisar sua espiritualidade é olhar para seus valores como ser humano, olhando profundamente para seu papel dentro desta realidade terrestre aqui e agora. Não importa se sua alma teve experiências como comandante estelar, se veio de Orion, foi um elfo em Mu ou bruxa na Idade Média. Nada disso tem a ver com espiritualidade, verdadeiramente. O que importa é o que você está fazendo no momento presente, cocriando a próxima etapa da sua alma fora daqui.

Não adianta fazer dezenas de cursos, iniciações, rituais se você não respeita seu templo, seu corpo. Se você não respeita o tempo deste planeta que rege a sua vida.

Observar sua espiritualidade é observar constantemente o portal entre a vida e a pós-morte. Você não levará títulos, certificados, livros. Nem ticket para a nave de nenhum comandante estelar.

O que sua alma irá levar em sua jornada pelo universo? Quais são os valores que você cultivou que serão úteis para qualquer outro mundo, sociedade, universo? Quais habilidades ligadas a esses valores você desenvolveu que servirão a uma nova consciência?

São essas habilidades que você deveria desenvolver, investindo seu tempo e energia. Valores como justiça, retidão, lealdade. Habilidades como controle emocional, força, equilíbrio, flexibilidade, sabedoria.

Avalie também: quais crenças estão se acumulando, que impedem que você se conecte com sua Fonte primordial de conhecimento, amor e harmonia?

Muitas crenças são travestidas de benéficas, mas foram criadas só para nos manter presos a esta matriz planetária infeliz.

Algumas crenças que criam estagnação:

  • Reencarnação. Já falei sobre isso aqui. Grande mentira.
  • Crença no pecado e que somos devedores de seja-lá-o-que.
  • O sofrimento é demonstração de fé.
  • Crença em um salvador que nos salve de nós mesmos e das nossas criações.
  • Crença em um deus único, que vê tudo, sabe tudo e se responsabiliza por tudo.
  • Você não é o responsável por cocriar sua realidade aqui e após sua morte. Há “alguém” que determinará seu caminho.
  • Você precisa sempre de uma religião, mestre, guru, mestre, sacerdote para mostrar o caminho. Você nunca é bom o suficiente para definir seu caminho.
  • Crença na luta do bem contra o mal, da luz contra as trevas. E que você tem que escolher um lado e lutar por algo ou alguém.

Observe então, de forma honesta, sem se comparar ou esperar a aprovação de ninguém: quais são os bloqueios que o impedem de se conectar com o seu verdadeiro Eu Superior, sua fonte infinita de conhecimento? Quantos dogmas você adotou que criam mais sofrimento, medo, culpa?

Imagine-se à beira de um caminho que só você pode trilhar e mais ninguém. Observe como é essa estrada, como a paisagem se mostra. Assumir a sua espiritualidade é dar o primeiro passo, seguir firme sem olhar para trás. Haverá outras pessoas no caminho, mas cada um no seu ritmo, na sua trilha. O caminho do outro nunca será o mesmo que o seu. E mesmo que alguém lá na frente diga saber o caminho, desconfie. Observe, questione. O caminho dele pode não ser o seu caminho. Não existem receitas mágicas que farão com que você pule etapas.

Você pode adquirir novos conhecimentos e experiências ao longo do caminho, mas não pode acumular nada. Pois é você quem irá carregar toda a carga. Mais ninguém. Então, abandone aquilo que não serve mais e aquilo que não é seu.

Observe então, seus pensamentos e emoções, resultados desses dogmas e condicionamentos. Pois eles refletem o lixo acumulado que irá impedir sua conexão com sua Fonte superior de sabedoria.

Aqui existe um ciclo vicioso entre dogmas, crenças e o sofrimento que nós mesmos criamos e alimentamos. Portanto, é impossível tentarmos criar pensamentos e emoções harmônicos se não quebrarmos primeiramente as crenças que bloqueiam o fluir harmônico da vida. Este fluxo natural se expressa através da liberdade, da aceitação, da compreensão de seus caminhos, sem hologramas, mentiras, sem expectativas infundadas, que não têm nada a ver com espiritualidade.

Usando outro exemplo, não adianta acumular conhecimento sobre espiritualidade se o solo não é fértil, se o solo é feito de pedras ou cheio de ervas daninhas. Para que a semente floresça é necessário espaço, oxigênio, nutrientes. Em solo limpo, qualquer semente irá florescer e se desenvolver.

Leve para este ano e para a vida o hábito de avaliar constantemente o que se acumulou nos últimos tempos: objetos, expectativas e ilusões, crenças.

E depois da faxina feita, certamente seus objetivos e planos serão muito mais frutíferos, pois estarão alinhados com o que sua alma veio exercitar neste mundo. E não mais ligados às expectativas e condicionamentos de terceiros.

Comece a faxina o quanto antes. Quanto mais o tempo passar, mais difícil é o processo.

Infelizmente, a Matriz de Controle planetária não quer que sejamos livres, que possamos escolher nosso próprio caminho como seres humanos e como seres espirituais. Estão impondo uma matriz de sofrimento constante e de controle psíquico através do medo. Então todo processo de elevação e ampliação de consciência será mais difícil nos próximos anos. Aproveite o momento presente e faça seu melhor, criando uma estrutura harmônica dentro de você e no ambiente ao seu redor.

Um 2022 produtivo, abundante em saúde e sabedoria para todos os que assim desejarem.

PRÓXIMA TURMA DO MÉTODO OMROM – SÃO PAULO – 12 E 13 DE FEVEREIRO/2022

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