INGENUIDADE NA ESPIRITUALIDADE

Por Eliana Rocca

Hoje vamos falar sobre algumas peças que nosso ego nos prega de tempos em tempos, principalmente quando acreditamos que já percorremos um longo caminho na espiritualidade, desenvolvendo vários processos de limpeza energética, de traumas e registros ancestrais, entre tantos outros procedimentos terapêuticos.

Com frequência ouvimos clientes e alunos comentando que já passaram por várias terapias e por isso estão “limpinhos”. Principalmente se essas terapias representaram um investimento financeiro significativo. Como se a eficácia de qualquer tratamento estivesse diretamente relacionada ao valor cobrado (ingenuidade). E quando algumas situações, emoções, doenças retornam com o tempo, se revoltam, questionando todo o processo terapêutico utilizado.

É fundamental fazer uma reflexão sobre o que realmente desejamos, quando buscamos um processo terapêutico.

Existem infinitas definições, escolas, propostas terapêuticas no mercado, muitas oferecendo resultados imediatos e definitivos. Mas compreenda que isso não existe. Não há NENHUMA terapia que possa prometer esse tipo de resultado. Mas, por quê?

Primeiro precisamos compreender o que cada terapia vibracional se propõe a limpar ou tratar. Se estamos falando de vibração, frequência, energia, estamos falando de campos sutis, de níveis de consciência muitas vezes não acessíveis à nossa compreensão. Por isso, no desejo de ter os problemas resolvidos de forma mágica, escolhemos acreditar, ao invés de questionar.

Assim como qualquer tratamento de saúde, alteraremos diferentes sistemas energéticos tanto em nosso corpo físico, como nos campos mental, emocional e espiritual.

Dependendo do momento, da técnica, do sistema de crenças e permissão, cada terapia irá alterar ou movimentar um ou outro campo. Ou um conjunto de campos e determinados blocos de informação. Imagine que em nossa história de alma fomos reunindo diversas gavetas que armazenam informação de diferentes eras e corpos. Cada terapia ou sistema terapêutico irá acessar uma ou algumas gavetas. Levando em consideração que acessar gavetas não necessariamente significa que aquela terapia tem condições de ordenar ou limpar seu conteúdo. Nem sempre.

Quando você se propõe a passar por tratamentos terapêuticos que promovem limpezas ancestrais, por exemplo, é necessário compreender o que está sendo movimentado e qual a sua responsabilidade na eficácia do tratamento.

Muitas pessoas buscam tratamentos apométricos para limpar situações traumáticas de seus ancestrais que em teoria continuam reverberando no momento presente. Só que não compreendem os mecanismos que regem a transferência de informação de uma geração para outra.

Simplesmente não adianta limpar o fato gerador apenas, pois a informação é transferida via DNA para o indivíduo na vida atual, através de memória celular que se agrega por ressonância a outras situações traumáticas. Esta memória celular não pertence apenas ao histórico ancestral, que pode representar apenas uma pequena parte de todo o histórico de alma daquele indivíduo.

Vamos criar hipoteticamente, o banco de dados composto pela memória celular de um indivíduo (que obviamente muda de pessoa para pessoa):

  • Ancestralidade do corpo (fatos traumáticos, magias, pactos de avós, bisavós etc.) – 20%
  • Ancestralidade da alma (histórico encarnacional em outros corpos e linhas de tempo, assim como a ancestralidade destes outros corpos) – 40%
  • Condicionamentos adquiridos (crenças e traumas pessoais e familiares da encarnação atual) – 30%
  • Memória celular coletiva (campos de consciência da sociedade, do planeta, adquiridos por ressonância) – 10%

Quando esse indivíduo faz uma determinada terapia com o objetivo de limpar situações traumáticas da ancestralidade, obviamente não irá limpar a memória celular presente no seu corpo físico, que reverbera e se entrelaça com outros campos de memória celular ligados a situações da alma e dos próprios condicionamentos e crenças aceitas conscientemente.

Então digamos que numa terapia nosso amigo limpou 5% do histórico ancestral do corpo atual. O que é excelente! É necessário que ele continue o processo de limpeza para eliminar e alterar os padrões de comportamento, pensamento e sentimento gerados pelos traumas ancestrais.

E, como se dá esse processo de limpeza? Será que o indivíduo precisa depender de terapeutas e sacerdotes para o resto da vida? A resposta é sim e não. Cabe a cada um se conhecer e saber quando pedir ajuda.

Só que o mais importante é o despertar de consciência em cada processo terapêutico. Se você costuma entregar a responsabilidade ao terapeuta ou ao sacerdote, esperando que ele resolva sua vida, você está se enganando.

Continuando com a estória hipotética do nosso amigo que fez uma excelente terapia que conseguiu remover 5% de traumas e almas presas à sua ancestralidade. Digamos que esta situação do passado tinha a ver com disputa pelo poder familiar. Seus ancestrais disputaram terras, passaram fome e perderam muitos bens neste processo. Na atualidade nosso amigo tem muita dificuldade em confiar nos outros, especialmente nas pessoas mais próximas, por isso desenvolveu uma necessidade de controlar tudo e todos à sua volta. E por este motivo é uma pessoa facilmente irritável, estressada, inconformada com qualquer situação que fuja às suas crenças e ao seu controle. E por consequência esta mesma pessoa desenvolveu problemas de fígado pela raiva contida. Tem problemas de digestão, dores de cabeça. Não faz exercícios físicos e come mal. Tem um casamento difícil, pois não consegue compartilhar e se abrir com seu cônjuge. Os filhos não conversam com ele, com medo de serem repreendidos e controlados a todo tempo.

Moral da estória. Se nosso amigo não tiver compreensão e consciência dos gatilhos emocionais que ele carrega e conscientemente não se esforçar para mudar, a terapia não terá qualquer efeito real e palpável para ele, que provavelmente irá pular entre terapeutas, sacerdotes, tarólogos, numerólogos, sempre dizendo… “fiz de tudo, mas nada, ninguém resolveu meu problema”.

Por outro lado, se nosso amigo compreende os gatilhos que fizeram com que ele desenvolvesse essa necessidade de controle e começa a limpar os padrões de medo, falta de valor próprio, negatividade, ira, consegue alterar seu destino. Se ele irá precisar de ajuda neste processo, isso depende de sua compreensão, auto controle, determinação e clareza. E quanto tempo ele precisará para limpar isso tudo? A vida toda. E além, provavelmente.

Precisamos parar de buscar por poções mágicas que tragam resultados imediatos. Esta compreensão é fundamental tanto para os clientes que buscam ingenuamente por soluções imediatas para problemas originados há milênios, como para os próprios terapeutas ou aspirantes a terapeutas, que sejam mais criteriosos em suas promessas de resultados.

Todo processo terapêutico é um trabalho colaborativo, uma parceria temporária e muitas vezes breve entre terapeuta e cliente, mas que deve envolver além de muito estudo, responsabilidade, disciplina e pé no chão. Das duas partes.

Estamos vivendo num momento planetário definitivo. Através do acesso livre à informação, não podemos mais nos colocar na posição de vítimas, nem de salvadores. Ou nos tornamos protagonistas e definimos nosso futuro, ou estaremos irremediavelmente presos às crenças e dogmas que nos trouxeram até aqui através da repetição holográfica imposta por uma matriz encarnacional.

Um dos dogmas mais profundos e mais nefastos é de que precisamos de um “deus”, sacerdote, guru, alguém que nos salve, que milagrosamente transforme água em vinho e nos cure de todos os males. Um holograma que coloca eternamente a humanidade na posição de vítima. Aguardando, aguardando…

Pois bem… chegou a hora de caminhar um passo por vez, seguir em frente firme em seu propósito, se responsabilizar por quem você quer ser. Sem olhar para trás.

É proibida a reprodução sem autorização da autora Eliana Rocca.

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